sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

LAVRADORES DE FEITORIA, 9 DE DEZEMBRO 2011



Lavradores de Feitoria, 9 de Dezembro de 2011

Foi no dia 9 de Dezembro que fiz a visita à Lavradores de Feitoria, em Sabrosa. Localizada na zona industrial, o que não é comum mas percebe-se. Este grupo foi criado em 2000, e tem 18 Quintas associadas ao longo do Douro, sendo 15 produtores, e, para haver um consenso entre todos, optou-se por não utilizar uma quinta como é costume, mas sim um espaço onde todos iriam depositar as suas uvas, e assim fazer-se em conjunto os vinhos. A zona industrial tem como benefícios água potável, electricidade industrial, esgotos e acessos, tendo também instalado uma Etar para tratamento de águas para lavagens de depósitos e afins. Na minha opinião, este projecto é um exemplo e devia ser seguido por mais produtores de todo o País em vez de alguns baixarem os braços e desistirem. Como administradores, este grupo tem entre outros Dirk Niepoort, amado por muitos, menos amado por alguns, mas com toda a certeza um dos grandes homens do Douro, que fez ver a todos que se pode fazer muito pela região, pelo vinho e pelo País.

Fui recebido pelo Paulo Ruão, enólogo do projecto, que nos foi contando a história do enquanto íamos passeando pelo exterior e depois interior das instalações, que mais abaixo podem ver em fotografias. Depois de uma boa conversa sobre como tudo começou e como ele foi lá parar, pois o Paulo Ruão estava na Ramos Pinto, fomos então à prova.

Começámos com o Lavradores de Feitoria Branco 2010, muito frutado, fácil, boa acidez, excelente para o Verão com relação preço/ qualidade muito boa. De seguida, o Três Bagos Branco 2010, mais trabalhado, com outra estrutura, devido a 30% ter estagiado em barricas. Muita fruta, mais encorpado que o anterior, mais tropical, algum fumo. Bom final. Três Bagos Sauvignon 2010, muito bem feito e de boa qualidade. Frutado, mineral, espargos e leve maracujá a sentir-se de inicio, mais complexo e de final médio. Gostei. Para acabar os brancos, Meruge 2010, feito com a casta Viosinho e com estágio em carvalho português durante 6 meses. Brilhante. Fruta em excelente casamento com a madeira, fumo, boa acidez, longo, complexo, cheio, untuoso. Um vinho que dá gosto de namorar e desvendar seus segredos à medida que agitamos o copo, cheiramos e provamos. Vinho do Douro, aroma do Douro é o que nos dá este Viosinho.

Passando aos tintos, começámos com Lavradores de Feitoria Tinto 2009. Vinho fácil, de dia-a-dia, pronto a beber, suave e bem trabalhado. O Três Bagos 2007 já se apresentou mais complexo. Frutado, mas sendo o primeiro ataque a suor, ervas ou relva verde, frutos vermelhos, ligeiramente especiado, com taninos presentes mas suaves e final médio/ longo. Passámos ao Gadiva Reserva 2007, novidade recentemente lançada, ficou um pouco atrás do Três Bagos 2007. Frutado, fresco, mais aberto, menos complexo, ou seja mais fácil, com boa estrutura, taninos presentes e final longo. O grande público vai gostar. Meruge 2007, o vinho. Feito para ser diferente, para se chegar mais a vinhos da Borgonha, com menos fruta e mais complexidade, fabuloso. Frutado q.b., elegante, fresco, untuoso, com taninos suaves e de final longo e persistente. Também estagiou em carvalho português, o que pelo explicar do Paulo Ruão, foi a madeira que mais gostou e conseguiu o efeito pretendido, dando outra complexidade ao vinho e diferenciando-o por isso mesmo. Por último, Quinta da Costa das Aguaneiras 2007, um Douro genuíno. Frutado, compota, especiado, ligeiramente adstringente, longo e persistente. Mastiga-se a cada gole que fazemos. Muito bom.

Queria desde já agradecer ao Paulo Ruão pela disponibilidade e amabilidade que teve, agradecer também à Olga Martins pela companhia no final da visita, e agradecer à Joana Pratas pela visita que me proporcionou. Obrigado a todos.

Nuno Ciríaco












Notas

Lavradores de Feitoria Branco 2010 - 14
Três Bagos Branco 2010 - 15
Três Bagos Sauvignon 2010 - 15,5
Meruge Branco 2010 - 16,5

Lavradores de Feitoria Tinto 2009 - 14
Três Bagos 2007 - 15,5
Gadiva Reserva 2007 - 15
Meruge Tinto 2007 - 17,5
Quinta da Costa das Aguaneiras 2007 - 17,5

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

QUINTA DO POÇO DO LOBO BRUTO 2006

Bons espumantes temos nós por cá, basta querer prová-los. Mas a maioria prefere gastar nos Asti e coisa do género. Também temos espumantes mais docinhos, procurem. Este é um exemplo de bom espumante, não muito caro, com qualidade, honesto. De cor citrino, limpo e brilhante. Tem uma bolha fina e viva. Nos aromas a tília destaca-se e flor de laranjeira. Boa acidez, com corpo, frescura e persistência. Feito de Arinto e Chardonnay. Gostei.











Nota: 15,5
Preço: 5,99€ no Continente
Produtor: Caves São João
Enólogo: José Carvalheira

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

QUINTA DA ROMANEIRA TINTO 2008

Romaneira é uma das históricas Quintas do Douro com uma magnífica vista sobre o fantástico rio para sul. Este vinho surgiu por escolha própria, e, ao não conhecer nenhum vinho desta casa, nunca se sabe o que lá vem. Feito com 60% de Touriga Nacional e 40% de Touriga Franca, com estágio em carvalho francês, mostrou-se límpido e brilhante, de cor violeta mas vivo, aberto. Notas de fruta madura, ligeiro toque apimentado, taninos presentes a mostrarem algum poder na boca, muito equilibrado e de final longo e persistente. Um vinho que me deu muito prazer, na presença de amigos que tiveram igual opinião.









Nota: 16,5
Preço: 24€ aprox.
Produtor: Quinta da Romaneira
Enólogo: António Agrellos

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

NOVOS QUINTA DO PÔPA CHEGAM AO MERCADO

Aí estão as recentes novidades deste produtor Duriense com um Touriga Nacional, um Tinta Roriz e um Vinhas Velhas. Recentemente bem classificados pela imprensa, assim que possa faço uma prova para poder comentar e classifica-los. Os preços andam entre os 14€ e os 22€.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

BOM NATAL


Só para desejar um Bom Natal a todos e muita saúde e até para a semana.

CASA SANTOS LIMA FERNÃO PIRES 2010


Casa Santos Lima é um produtor de vinhos da zona de Alenquer. Trata-se de uma empresa familiar e desde 1996 que iniciaram a comercialização de vinhos engarrafados. Este Fernão Pires é um dos vários vinhos que esta casa tem, pois ainda são alguns. Em relação qualidade/ preço, é um vinho honesto. De aroma jovem, frutado, com notas tropicais e alguma lima, tendo na boca uma boa acidez, suave, fresco e de um final curto. Mais vocacionado para dias mais quentes, não ficou mal no frio de Novembro, acompanhando umas endivias com alheira de caça com caviar.









Nota: 14
Preço: 3€ no El Corte Inglês
Produtor: Casa Santos Lima
Enólogo: José Neiva Correia

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

BLANDY´S BUAL 5 ANOS

Este Vinho da Madeira é um vinho novo mas com muito carácter. Começamos por uma pequena introdução de como é feito este vinho. Feito apartir da casta Boal, casta esta que é amada por todos devido ao seu equilíbrio entre o doce e acidez que consegue produzir, e também devido aos aromas que ganha com o contacto em madeira. Este vinho que aqui estamos a comentar, depois da vinificação em inox com temperaturas entre os 18º e os 21º, vai para carvalho americano onde estagia 5 anos em processo de envelhecimento de canteiro.  Este processo passa por o vinho começar o seu estágio nos armazéns no Funchal no piso mais alto, estando assim dentro de uma estufa. Passados 2 anos passa para pisos intermédios e depois para o nível do chão. Depois é filtrado e engarrafado para consumo imediato.



Quanto ao vinho em si, apresenta-se límpido, com cor acastanhado e nuances doiradas. No nariz, frutos secos, baunilha e madeira adocicada. Na boca tem bom corpo, fruta e acidez em perfeito equilíbrio, laranja cristalizada, meio doce e final longo e persistente. No final sente-se mais frutos secos como amêndoas e nozes. 
Excelente exemplar para se ter em casa e dar a conhecer aos amigos, pois tem muita qualidade e merece ser conhecido.


Nota: 16,5
Preço: 12€ no El Corte Inglês
Produtor:Blandy´s
Enólogo: Francisco Albuquerque

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

MONTES ERMOS GRANDE RESERVA TINTO 2007

Vinho comprado no Continente de Vila Real, foi opção devido ao preço, pois um Grande Reserva a 9€ não é comum. Claro que se fica sempre com a sensação do será que é bom, mas cada vez me dá mais gozo sentir isso, pois se acontecer não o ser, paciência, mas, e se for um grande vinho? Mais uma descoberta. Este ficou a meio. Um vinho que não é surpreendente mas também não desilude em nenhum dos seus aspectos. Cor ruby com auréola violeta, lágrima presente e limpido. Nariz limpo, jovem e de intensidade média. Nos aromas destaca-se o cacau, algum floral e frutos pretos. Na boca um vinho frutado, compota, frutos secos para o final, com madeira suave bem casada com a fruta. Taninos presentes, de intensidade média e de final longo. Um bom vinho que pede pratos mais elaborados e fortes, mas também agradável na companhia de uma boa leitura.




Nota: 15,5
Preço: 9€ no Continente
Produtor: Adega Coop. Freixo de Espada à Cinta
Enólogo: ?

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Herdade das Servas distinguida como PME Líder

O produtor alentejano Serrano Mira - Sociedade Vinícola, S.A., que gere a Herdade das Servas, em Estremoz, acaba de ser distinguido pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI) como estatuto de PME Líder, atribuído no âmbito do Programa FINCRESCE a empresas nacionais com perfis de desempenho superiores.

Segundo os proprietários das Herdade das Servas, Carlos e Luís Serrano Mira, “É com muito entusiasmo que recebemos esta distinção. É importante na medida em que reforça a imagem e notoriedade da Herdade das Servas, mas acima de tudo porque reflecte a qualidade do nosso trabalho num contexto económico e empresarial. Investimento, criação de emprego, inovação e internacionalização são, cada vez mais, palavras de ordem no seio da Herdade das Servas.”

As PME Líder são empresas que pelas suas qualidades de desempenho e perfil de risco se posicionem como motor da economia nacional em diferentes sectores de actividade, prosseguindo estratégias de crescimento e liderança competitiva. O estatuto PME Líder proporciona um conjunto de benefícios financeiros e não financeiros; funciona como selo de reputação e estímulo no prosseguimento de dinâmicas empresariais, que visem facilitar o crescimento e o reforço da base competitiva e que contribuem de forma sustentável para a criação de riqueza e bem-estar social.

Com os melhores cumprimentos,

Joana Pratas

Consultora em Comunicação e Relações Públicas

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

VERSÃO MOBILE PARA SISTEMA ANDROID

Agora pode ter o blogue Adega dos Leigos mais perto de si e levá-lo para onde quiser com o APP criado para o sistema Android. Basta clicar em cima em Versão Mobile, clicar no link e gravar para o telemóvel. Depois é só instalar a aplicação e já está. Directo, com noticias, provas e eventos na hora. Obrigado.









quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

ESPORÃO RESERVA BRANCO 2009

Foi para um jantar de amigos, juntamente com outros vinhos, que escolhi este branco. Excelente imagem e sem medos, pois acho que já é a segunda ou terceira vez que alteram a imagem, mas como o nome está lá, é garantido. Um vinho de cor amarelo palha, lágrima persistente a escorrer no copo. Dando umas voltas ao copo, siga para o nariz. Pêssegos e maçãs verdes, com ligeira tosta, caramelo suave. Passando para a boca, untuoso, fruta bem equilibrada com a madeira, acidez média e alguma manteiga. Um vinho fácil, muito bem feito e com um preço justo. Achei-o muito gastronómico e é um vinho que aconselho.








Nota: 17
Preço: 9,90€ nos supermercados
Produtor: Herdade do Esporão

Vinho de Moura premiado em Itália - Num concurso internacional em Roma

Um vinho produzido no concelho de Moura - um tinto da Herdade dos Machados - foi premiado em Itália. A distinção aconteceu no 10.º Concurso Internacional do Vinho "La Selezione del Sindaco", em Roma, um prestigiado evento com provadores de todo o Mundo, em que os vinhos portugueses conquistaram 48 medalhas de ouro e prata.
O vinho do concelho de Moura premiado na capital italiana foi um tinto "Herdade dos Machados", Reserva 2006 Alentejo DOC, produzido pela Casa Agrícola Santos Jorge S.A./Herdade dos Machados.
A Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), que integra 75 municípios do País, entre os quais o de Moura, representou Portugal no concurso em Roma. O seu secretário-geral, José Arruda, e um enólogo da associação, Sérgio Oliveira, estiveram na semana passada em Moura a fazer a entrega da medalha de prata e de um diploma ao produtor e de um diploma ao município.

Na breve cerimónia realizada nos Paços do Concelho participaram, além dos dois responsáveis da AMPV, o produtor premiado, Jorge Tavares da Costa, e, em representação do município, o presidente da Câmara, José Maria Prazeres Pós-de-Mina, e o vereador com o pelouro do Turismo, Santiago Macias.

Durante o acto, os dirigentes da AMPV salientaram a excelência dos vinhos portugueses, reconhecidos mundialmente, e lembraram que Portugal possui "boa terra, muito sol e castas únicas, património que a troika não nos pode levar". O produtor mourense considerou que o prémio é o reconhecimento do trabalho realizado, no sector vitícola, na Herdade dos Machados, e da qualidade dos vinhos do concelho de Moura.

Fonte Infovini

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

LUA NOVA EM VINHAS VELHAS 2009

Atraiu-me o nome e o preço. Vamos lá provar este vinho. Surpreendeu-me. Magnifica cor violeta escura. Aromas potentes a frutos negros, cacau, muito elegante. Na boca mostrou-se muito gastronómico, boa frescura, taninos redondos, tosta, intenso e de final longo e persistente. Um vinho um pouco diferente dos demais, com uma acidez mais vincada que dá-lhe algum poder sem ser um vinho bruto e cheio de compota. Este é mais elegante, mais suave e que aconselho a todos a provar.










Nota: 16
Preço: 5€ no Continente
Produtor: Vinificado Quinta dos Frades a partir de mais de 23 castas de Vinhas Velhas
Enólogo: Anselmo Mendes e José Silva e Sousa

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

THASOS MOSCATEL DE SETUBAL 2008

Fui ao Continente de Mem Martins e numa passagem pela garrafeira, despertou-me a atenção para este moscatel. Ainda não tinha provado, e como precisava de um moscatel para acompanhar um cheesecake de maracujá com limão, resolvi levá-lo. Com uma cor âmbar, límpido. No nariz mostrou-se fresco, flor de laranjeira e limão, com notas de fruta em compota, e com o tempo no copo alguns frutos secos e especiarias. Na boca, doce, caramelo e figos secos, boa acidez, intenso e de final de boca longo e persistente. Bom moscatel para ter em casa a um preço justo.








Nota: 15
Preço: 4,5€
Produtor: Caves Velhas
Enólogo:

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

ROVISCO GARCIA TINTO COLHEITA 2009

Desta vez trago mais um vinho deste produtor alentejano, mas agora tinto, o Colheita 2009. Agrada-me cada vez mais encontrar vinhos diferentes, que não sejam vinhos " imitados " por muitos, e parecidos com quase todos. Um vinho muito agradável, fácil, gostoso e guloso, não daqueles que se mastigam até mais não, mas que dá muito prazer beber e tentar namorá-lo um certo tempo. Vamos então à prova.
Aspecto límpido, lágrima média e de cor granada. No nariz mostrou-se limpo, jovem e de intensidade média. Quanto aos aromas lançados por ele, notou-se frutos do bosque como framboesas e amoras, ligeiro floral, tília, e vegetal a sentir-se pimentos ainda verdes. Madeira presente. Na boca, seco, acidez média em bom casamento com a madeira e a fruta, especiado, com taninos suaves. Complexidade média e de final de boca média. Um vinho com uma qualidade boa.

Deu-me imenso prazer beber este vinho e aconselho a todos a prova. Não nos deixa ficar mal à mesa.


Nota: 15,5
Preço:até aos 6€
Produtor: Rovisco Garcia
Enólogo: Miguel Matos Chaves