terça-feira, 29 de maio de 2012

VISITA À TERRAS D´ALTER VINHOS

Foi no dia 26 de Maio, que rumei a Fronteira, Alentejo, para uma prova de vinhos Terra D´Alter, orientada pelo enólogo da casa Peter Bright, um dos enólogos estrangeiros mais conceituados que temos no nosso País. Conhecedor de castas como ninguém, dá prazer estar à conversa com ele, pois o homem sabe. Logo que chegámos, não perdemos tempo e fomos visitar as vinhas de onde nascem as uvas para produzir o Telhas Tinto. Em redor, Viognier e ao longe uma nova plantação de Alvarinho. Gosto de andar no terreno. Uma visita de médico ao Dr. José Roquete, um dos proprietários, que fez questão que fossemos ter com ele à sua propriedade. De seguida, adega.


Nova plantação de Alvarinho




Adega

Passámos então à prova. 17 vinhos para serem provados, avaliados, ver as diferenças que existe de ano para ano, tudo bem explicado por Peter Bright. Terra D´Alter Reserva Branco 2008, 2009 e 2010, Terra D´Alter Reserva Tinto 2007, 2008 e 2009, Terra D´Alter Alicante Bouchet 2007, 2008, 2009 e 2010, Telhas Tinto 2008, 2009 e 2010, e Outeiro 2007, 2008, 2009 e 2010. Que prova. Bons vinhos, a estarem todos com un nível de qualidade muito bom. Todos concordaram, os vinhos de 2008 para se beber já estão no ponto, mas, 2009 vai ser melhor, com mais potencial.

Reserva Branco 2008, Cor leve, muito aromático, já com aromas de início de evolução, boa acidez, toque de madeira. Fruta madura, seco, boa intensidade de final longo. Gostei bastante. 16
Reserva Branco 2009, mais jovem, com mais força, boa frescura com notas de limão presentes, acidez alta,  floral e leves notas de especiarias . 16
Reserva Branco 2010, jovem, fresco, com notas de meloa e lichies a acabar por se encontrar notas citricas, acidez alta. Todos com potencial de envelhecimento muito bom. 15

Reserva Tinto 2007, com uma cor vermelho vivo, no nariz o primeiro destaque é para pimentos, e frutos silvestres. Na boca é muito agradável e suave. 15,5
Reserva Tinto 2008, está mais exuberante, muito aromático, floral, amoras e ameixa preta. Na boca, seco, fruta a sentir-se muito bem e fresca, boa acidez, excelente casamento. Boa intensidade e de final longo. 16,5
Reserva Tinto 2009, ainda a notar-se a sua juventude, muito rebelde, com acidez alta mas com uma estrutura fantástica. vai ser um vinho de topo para o seu preço. 16

Alicante Bouchet 2007, cor rubi, com nariz puxante, intenso, frutos silvestres, azeitona, tostado. Na boca, bom corpo, untuoso, intenso e de final longo. 16
Alicante Bouchet 2008, destaca-se pimentos cortados e ligeiro chocolate, com a fruta bem madura. Na boca, seco, fruta madura em compota, novamente algum chocolate amargo, intenso e complexo. 17
Alicante Bouchet 2009, está mais fácil, com fruta madura, encorpado, suave de boca e de final longo. 16
Alicante Bouchet 2010, ainda na barrica, mas a mostrar ser poderoso. Ainda a vestir-se. 15,5

Telhas Tinto 2008, muito exuberante, elegante, frutado, intenso, encorpado, notas de fruta e madeira em excelente harmonia, complexidade excelente, boa acidez, de final persistente. 17,5
Telhas Tinto 2009, frutos pretos, pimenta preta e madeira presente, tudo bem casado. Excelente acidez. 17
Telhas Tinto 2010, ainda com a fruta e a madeira aos saltos, soltos, como um jovem deve ser. Morangos em destaque. 15,5

Outeiro 2007, cor carregada, com aromas de frutos negros, madeira, nuances de chocolate, fumado. Na boca, seco, encorpado, intenso e de final persistente. 17,5
Outeiro 2008, no mesmo perfil que o anterior, mas a notar-se ligeiro químico e espinafres. Na boca, seco, untuoso, veludo, boa intensidade e de final longo. 18
Outeiro 2009, no mesmo perfil mas com pimentos em destaque. Fortes probabilidades de ficar melhor que o 2008. 17
Outeiro 2010, adolescente, com muito ainda para dar. Ainda em barrica. 16

De seguida, Peter Bright vira-se e diz: " Aqui já está, vamos provar umas barricas. " 
Foram mais umas 12 barricas provadas, castas provadas separadamente, as que fazem o Telhas, o Outeiro, depois um Gouveio em inox e em madeira, para se perceber as diferenças, Viognier e um Tinta Caiada de excelente qualidade. Só não se provou mais senão a comida ficava fria, sempre com Peter Bright a querer mostrar tudo, com entusiasmo de quem sabe e sem medos de mostrar o que faz, tanto as coisas excelentes como uma ou outra que ele acha não estar grande espingarda, como um Cabernet Sauvignon que fez e diz não estar à altura do que quer da casta. Houve quem gostasse, eu também não me identifiquei.











Depois, o almoço. Muito descontraído, no meio da adega, em que cada um se ia servir, sem grandes formalidades, como se quer. Cada situação tem a sua maneira de ser e de estar, e ali era a melhor maneira. Boa conversa, excelente companhia, onde todos trocámos opiniões e se falou de tudo um pouco. Agradecer ao cozinheiro pela excelente carne que fez e mandava para a mesa directamente das brasas, uma sericaia magnífica onde foi acompanhada de uma experiência de Peter Bright, um licoroso branco que achei muito engraçado. Vinhos alentejanos diferentes, devido também ás barricas de carvalho americano que usa. Um projecto repleto de coisas boas.
Obrigado à Terras D´Alter, ao Peter Brght e ao João Vilar.
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