quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

RUI REGUINGA VS ANSELMO MENDES

Foi no sábado passado que, no restaurante O Jacinto, no Lumiar, se juntou meia dúzia de enófilos para um almoço convívio, mas sempre em redor de vinhos para provar e avaliar. Nesta vez o desafio foi avaliar dois enólogos portugueses em prova cega, Anselmo Mendes e Rui Reguinga, e avaliar se os vinhos produzidos por estes dois senhores tinham sempre a mesma linha, mesmo alterando a região onde o vinho era feito, ou se havia mais o perfil do terroir, do produtor e enólogo em conjunto. Pois bem, foi interessante ver que que ganhou o Rui Reguinga, mesmo em quantidade de vinhos, mas não por um estilo próprio, onde seriam os vinhos todos com um perfil idêntico, mas sim vários estilos de várias regiões e um trabalho bem feito. Todos os vinhos foram provados em prova cega, não sendo eu fã deste tipo de provas. Mas as regras do jogo estavam lançadas.

 O primeiro vinho foi o Social Reserva Branco 2010, uma surpresa feita pela equipa do restaurante, vinho este do próprio restaurante e de enologia de Aníbal Coutinho. E que agradável surpresa. Mineral, algum vegetal, frutado, com o tropical a notar-se. Boca com boa acidez, erva molhada, confirmação de frutos tropicais, algum citrino, de intensidade média, algum fumo no final e final de boca médio. 15 
De seguida surge outro branco. Mais leve que o anterior, mais acidez, fruta cozida, frescura, frutos secos, com pouco corpo. Intensidade baixa e com final curto, a notar-se no final excesso de acidez. A nota que dei foi um 14, a este Intensus 2010 que de intenso nada tem.
 

 Monte da Ravasqueira Branco 2010 foi o seguinte. Vegetal, citrino, boa acidez, ovo cozido, equilibrado, com uma intensidade média e de final médio. Boa surpresa. 15
Passando aos tintos, mais uma rasteira por parte da equipa do restaurante. Canela, ligeiro adocicado, lácteo, a notar-se muito a madeira mas não de barrica, uns barrotes quaisquer que para lá meteram, fruta nem vê-la. Ligeira sensação de pó de madeira cortada no final. Por muito barato que se faça um vinho, um enólogo devia recusar-se a fazer este tipo de vinho. Talvez para inexperientes ainda a tirar o curso. Tirem-me isto da frente. Este Social Reserva Tinto 2010 nada a ver com o irmão branco 2010. 12,5


De seguida veio um vinho alaranjado, com aroma a fósforo e pimentos cortados, frescos. Uma boca com excelente acidez, cacau, intenso de de final maravilhoso a deixar ligeiro amargo mas prazeroso. Foi o Grou Cabeção 2007. 16
Para meu azar, o vinho que levei, este Casa Cadaval Trincadeira 2006, tinha tudo para ser um dos melhores à prova, mas a maldita rolha, e mais rolha e rolha novamente, traiu os presentes, pois estava já morto à uns tempos. Tenho que arranjar mais uma a ver se está boa.

Quinta do Soque 2006. Fruta madurinha, ligeiro mofo, espargos, madeira, bem feito, sem defeitos, com final médio. 14
Pedra Basta 2008. Frutos secos, ligeiro floral, frutos secos, boa acidez, madeira, final picante, mentol. 14,5

De seguida veio outro tinto, desta feita um vinho a notar-se fruta madura ligeira, pimentos, adocicado. Boa acidez, corpo médio, taninos redondos e de final médio e seco. Quinta da Carregosa Colheita 2008. 14,5
Um bom vinho do Douro, que provei recentemente e em prova cega não me desiludiu. Fruta em compota, fruta cozida, especiado com pimenta, fumo e ligeiramente lácteo. Bom corpo, taninos presentes e suaves, intenso e de final longo. Lua Nova em Vinhas Velhas 2009. 15,5

Para mim o vinho do almoço, o grande vencedor deste confronto. Aroma muito fresco, limpo, algum caramelo, mineral, com carvão a notar-se. Notas de chocolate, ligeiramente adstringente, taninos presentes mas suaves, equilibrado, intenso e de final de boca longo e persistente. Belo vinho sim senhor. Quinta das Maias Jaen 2006. 16,5


 Bom almoço, boa conversa e companhia.

 Social Reserva Branco 2010  15
Intensus 2010  14 
Monte da Ravasqueira Branco 2010  15

Social Reserva Tinto 2010  12,5
Grou Cabeção 2007  16

Quinta do Soque 2006  14

Pedra Basta 2008  14,5

Quinta da Carregosa Colheita 2008  14,5

Lua Nova em Vinhas Velhas 2009 15,5
Quinta das Maias Jaen 2006 16,5
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