segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

ACOMPANHAMENTO DO JANTAR E ALMOÇO DE NATAL


Mais um Natal passou, com saúde, e tudo o que achamos que nos faz feliz neste dia. Para mim, familia e bom convivio. Ao jantar, o bacalhau e o polvo com os respectivos acompanhamentos, e ao almoço do dia seguinte, o belo do perú recheado. Claro que se abriu uns vinhos para acompanhar a comida, para nos acompanhar numas boas conversas, e tudo o que viesse. O Natal foi em casa de familiares, e as escolhas vinicas foram do meu cunhado. Boas escolhas.



Para começar, um Quinta da Alorna Abafado 5 Anos.
Aspecto limpido, lágrima persistente e de cor ambar. No nariz, limpo, jovem, intensidade médio , amendoa e figo, com algum pessego bem maduro. Na boca, mostrou-se ainda mais. Doce, baixa acidez, encorpado, amendoa e mel em destaque, mas sem ser enjoativo. Um bom licoroso à qual fiquei fã.



Depois ao jantar, a companhia foi Quinta da Pedra Alta Touriga Nacional 2007.
Aspecto limpido, lágrima persistente e de cor vermelho violeta. No nariz, limpo, jovem e de intensidade média. Frutos vermelhos, floral, um pouco especiado, e algum caramelo suave. Na boca, seco, corpo médio +, especiado, taninos suaves, intenso e de final de boca longo. Um bom Touriga Nacional, bem trabalhado e com potencial de guarda.

Foto tirada do blogue Comer, Beber e Lazer

No final, um Moscatel Roxo da Casa Agricola Horácio Simões.
Aspecto limpido, lágrima persistente e de cor castanho. No nariz, limpido, desenvolvido e de intensidade pronunciado, flor de laranjeira, figos e mel. Na boca, doce, encorpado, acidez baixa, intensidade média e de final de boca longo. Excelente qualidade.



Ainda se abriu um Niepoort LBV 2005.
Aspecto opaco, lágrima persistente e com cor vermelho violeta escuro. No nariz, limpo, jovem, de intensidade média. Fruta em compota, ameixa e cereja, amêndoa, noz. Na boca, doce, encorpado, meloso, mais fruta madura, de intensidade média e de final de boca longo. Um bom LBV.



No dia seguinte, a acompanhar o almoço, o Manta Preta Reserva 2005.
Um vinho que não vingou à mesa. Esperava muito mais deste Touriga Nacional com Tinta Roriz, mas foi desilusão. Aspecto limpido, lágrima média e de cor vermelho acastanhado. No nariz, limpo, desenvolvido e de intensidade suave. Pouca fruta, má casamento entre as castas e a madeira, com nuances de frutos do bosque, framboesa e amoras. Um pouco vegetal, espargos, madeira suave. Na boca, seco, baixa acidez, corpo suave, taninos suaves, intensidade suave e de final de boca médio -. Este vinho para mim estava numa transição, em que, ao abri-lo, revelou-se fraco, diferente e a caminhar para má saude.




De seguida, o Reserva Pessoal 2006 da Quinta da Pedra Alta.
Aspecto limpido, lágrima persistente e de cor violeta carregado. No nariz, limpo, desenvolvido, intensidade média, com frutos do bosque. Na boca, seco, corpo médio, frutado, taninos suaves, de intensidade média e de final de boca longo. Bom tinto.



Para acabar, o colheita tardia da Quinta da Sequeira 2008.
Aspecto limpido, lágrima persistente e de cor dourado. No nariz, limpo, jovem, de intensidade média+, alperce e figo. Na boca, meio doce, acidez baixa, meloso, frutado, intensidade média e de final de boca longo. Muito bom.

Foram as escolhas para este Natal, e que aconselho.

Notas:

Quinta da Alorna Abafado 5 Anos - 16
Quinta da Pedra Alta Touriga Naqcional 2007 - 16,75
Moscatel Roxo da Casa Agricola Horácio Simões - 16,5
Niepoort LBV 2005 - 16
Manta Preta Reserva 2005 - 14,25
Reserva Pessoal 2006 da Quinta da Pedra Alta - 17
Quinta da Sequeira 2008 Colheita Tardia - 16,75




quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

TERRA DO ZAMBUJEIRO 2001

Ontem foi dia do almoço semanal, no restaurante Bar das Colunas em Lisboa. Eu, o Fernando e o Rogério, no nosso almoço de Natal. E desta vez foi o Rogério a levar o vinho. Terra do Zambujeiro 2001, um vinho alentejano, da Quinta do Zambujeiro. O produtor, um suiço que vive em Singapura e que durante 3 meses do ano, vinha jogar golfe para a Europa. Um dia aterrou no Algarve, subiu mais um pouco, e apaixonou-se pelo Alentejo, onde comprou a Quinta do Zambujeiro. Decidiu fazer vinho, e na minha opinião, conseguiu e bem.

foto retirada do blogue Copo de 3, não pertencendo ao Terra do Zambujeiro 2001

Aspecto limpido, lágrima persistente e cor rubi concentrada. No nariz, limpo, de aroma fechado, escondido, mas com o tempo a mostrar fruta bem madura, especiarias, notas vegetais, mas tudo suave. Na boca, o oposto. Elegante, taninos delicados e macios, corpo volumoso e fruta madura, especiado, ligeiras notas de baunilha, com intensidade persistente e de um final de boca muito longo. Um excelente vinho tinto do alentejo, que irei com certeza comprar para beber em casa e apreciar ainda melhor. Obrigado ao Fernando e ao Rogério pela companhia, boa conversa e um Feliz Natal para vocês.

Nota: 17,5
Preço: a rondar os 15€

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

TERRAS DE MONFORTE TINTO 2008

Ora aí está mais um bom vinho alentejano, vindo de Monforte. Um vinho da Herdade do Perdigão, donde sai vinhos de qualidade.
Aspecto limpido, lágrima persistente e de cor granada. No nariz, limpo, jovem mas a evoluir, intensidade média, frutos compotados, especiado. Na boca, seco, boa acidez, corpo médio, frutado, taninos redondos, de intensidade média e final de boca longo. Excelente qualidade a um preço muito bom.
Queria agradecer a Sandra Chaves da Herdade do Perdigão por ter enviado esta amostra e por toda a simpatia e interesse demonstrado.

Nota: 16
Preço: ronda os 5€

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

SENHOR D´ADRAGA 2007

Curioso este vinho. Com a vinha mais ocidental da Europa, ao lado do Cabo da Roca, surge os vinhos Senhor D´Adraga. Um vinho com muita qualidade, bem feito, com fruta bem madura e um toque de maresia.
Aspecto limpido, lágrima persistente e de cor vermelho violeta. No nariz, enche-o. Limpo, jovem, intensidade média, frutos do bosque, amoras e mirtilhos, cogumelos. Na boca, seco, baixa acidez, corpo médio, frutado, taninos suaves, um pouco salgado, intensidade média, de final de boca médio e com alguma complexidade. Um vinho muito agradável, gastronónico, diferente e com uma qualidade bastante boa. Mais um bom vinho da zona de Colares.

Nota: 16,25
Preço: Gentilmente cedido pelo produto, mas ronda os 11€


domingo, 12 de dezembro de 2010

MUXAGAT 2009 E MONTEFINO RESERVA 2005

Este fim de semana abri dois vinhos, um branco do Douro e um tinto do Alentejo. O branco, Mux 2009, que em anos anteriores era Muxagat, provei-o pela primeira vez no evento Porto e Douro Wine Show. Os aromas que na altura senti, e a boa conjugação de nariz e boca, fizeram-me escolher este vinho para apreciar bem em casa.


Aspecto limpido, lágrima persistente e de cor amarelo pálido. No nariz, mostrou estar limpo, jovem, com uma intensidade pronunciada. Frutos de árvore, maçã, mais tropical em certos momentos, talvez quando a temperatura subiu um pouco, ligeiras notas minerais. Na boca, seco, acidez médio menos, fresco, encorpado, frutado, com intensidade média e de final de boca médio. Um vinho muito bem feito, com aromas muito agradáveis, e na boca mostrou ser muito competente.

O segundo vinho foi o Montefino Reserva 2005. Esta casa tem uns vinhos fabulosos, mesmo os vinhos de entrada. Não são iguais aos outros, têm personalidade, história. Quando se bebe um vinho desta casa, aprecia-se vinhos feitos como antigamente, bebe-se a terra como era. Agora, salvo raras excessões, bebe-se os vinhos e pergunta-se de onde é. Este é tipico e agrada-me bastante.

Aspecto limpido, lágrima persistente e de cor vermelho acastanhado escuro. No nariz, limpo, desenvolvido e de intensidade média. Frutos vermelhos, ameixas e cerejas vermelhas, especiado e algum fumado. Na boca, seco, acidez baixa, corpo médio, frutado, madeira presente mas suave, taninos suaves, de intensidade média e de final de boca médio mais. Um vinho muito agradável para qualquer refeição, muito gastronómico, e muito prazeroso fora da comida.

Dois vinhos que aconselho.

Notas

Mux Branco 2009 : 16,75
Montefino Reserva 2005: 16,5
Preço: Mux Branco 2009 - 11€
Montefino - 7€


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

DOW´S LBV 2005

Aqui está um Vinho do Porto que eu adoro. Os LBV´s são, para mim, um prazer. Também gosto muito dos Tawny, mas gosto imenso dos LBV e dos Vintage. Este, e porque o preço foi apelativo, decidi comprá-lo. Não me desiludiu em nada.
Com um aspecto opaco, lágrima persistente e de cor ruby. No nariz, limpo, jovem, de intensidade média. Frutos vermelhos, groselhas e cerejas, especiado, pimenta a sobressair. Na boca, meio doce, encorpado, frutado, alcool médio, intenso e de final de boca longo. Qualidade excelente a um preço bastante atractivo. Mais um bom Porto desta casa, que aposta muito em vinhos mais secos, gastronómicos. Este é daqueles que com uma sobremesa doce, não se deixa apagar devido à sua secura, não exagerada, mas no ponto.

Nota: 17,25
Rótulo: Muita informação junta, mas com jogo de cor agradável. - Bom
Preço: 12€


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

JANTAR VINICO NA TAVERNA DOS TROVADORES

Mais um jantar vinico no restaurante Taverna dos Trovadores, em S. Pedro de Sintra. Na companhia de amigos, o combinado foi levar cada pessoa um vinho. Na mesa eramos 4, Susana, Fernando, Pedro e eu. Ainda tivemos a companhia de Fernando Pereira, dono do restaurante, e de Joaquim de Almeida, actor. Joaquim, gostei muito da tua magia com o isqueiro Bic.

Começámos por abrir um Casaca de Ferro Grande Reserva Touriga Nacional 2006. Um vinho frutado, madeira presente mas bem trabalhada, taninos médios, corpo médio, intensidade média e de final de boca longo. Foi a minha escolha e gostei bastante.


De seguida, e depois de decantado, abriu-se um Referência Grande Reserva 2008. Fruta muito madura, óptimos aromas a amora e ameixa, cacau. Na boca, cheio, encorpado, mastigável, guloso e com final de boca longo. Um vinho muito bom. Escolha do Pedro e que escolha.


Não estava nos planos, mas o Fernando foi buscar um Monte da Penha Reserva 2003. Para mim, não desfazendo os vinhos anteriores, o melhor da noite. Um vinho diferente, ou se gosta ou se odeia. Eu amo. Cor vermelho acastanhado, desenvolvido, frutos secos, passas, couro, corpo médio, taninos suaves, com final de boca longo. Este vinho mostra-se em pleno, com puxança, muito gastronómico, e já com 5 anos a mais que o mais novo, deu-lhe baile. Adorei.




Por ultimo, e para acompanhar a sobremesa, um Dom Ruinart Blanc de Blancs 1996. Fiz-me dificil mas tenho que o dizer, excelente. Um pouco fechado em aroma, com uma bolha bem viva, na boca é espectacular. Seco, avelãs, noz moscada, excelente acidez e final de boca médio/longo. Para mim, um excelente champagne, para os entendidos, um dos melhores dos ultimos 30 anos. Escolha de Fernando Magalhães.

Um muito obrigado ao Fernando Magalhães pelo convite, ao Pedro, à Susana, ao Fernando Pereira e ao Joaquim de Almeida pela companhia, simpatia e boa disposição. Obrigado.

Notas

Casaca de Ferro Grande Reserva Touriga Nacional 2006: 16,25
Referência Grande Reserva 2008: 17
Monte da Penha Reserva 2003: 18
Dom Ruinart Blanc de Blancs 1996: 18,5


Casaca de Ferro gentilmente oferecido pelo produtor

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

VINHO CASEIRO


Este feriado, num almoço de familia, provei dois vinhos. Um deles, foi feito de uma maneira que ao lerem, muita gente vai ficar pasmada ou com um pé atrás. Mas que raio de maneira de fazer vinho. E saiu vinho? Pois saiu, e que vinho.
À 6 anos o meu padrinho foi ao Alentejo, Moura, e comprou uns quilos de uva para fazer vinho.
Trincadeira, Aragones e Moreto. Desengace à mão na quinta onde comprou as uvas, transportou-as para Mem Martins em alguidares grandes. Descarregou os alguidares cheios de uva e encostou-os a um canto, onde a temperatura no Verão não passa dos 25º e no Inverno não cai abaixo dos 10º. Durante 7 dias, mexeu as uvas com um pau de carvalho, adicionou leveduras, retirava as porcarias que ficavam por cima e foi mexendo sempre até parar de fermentar. Depois, o mosto acentou, e ficou ali tapado durante três meses.
Diz ele que é uma maneira tradicional de se fazer vinho no alentejo. Quando engarrafou, o vinho estava potente. Muita fruta madura, carregado de cor, taninos médios e com 17º de alcool. Potente.
Ontem, abriu-se a ultima garrafa desse vinho. Estagiou deitado, na adega, com boa condição climaterica.
Aspecto limpido, lágrima persistente e de cor vermelho acastanhado. No nariz, limpo, a mostrar desenvolvimento, já com alguns aromas terciários como frutos secos, passa e algum bafio mas ligeiro. Na boca, seco, corpo médio, mais passa, taninos muito suaves, final mediano e complexidade ligeira. Uma grande surpresa, pois para um vinho que à partida não foi feito com os procedimentos normais, saiu um vinhão daqueles que dá vontade de ter sempre uma garrafa por perto para abrir. Pena é que era a ultima garrafa. E acompanhou na perfeição um coelho no forno.
O ano que vem o meu padrinho quer fazer novamente vinho e aí já vou estar por perto na sua produção.

Nota: 18
Preço: ?

Um Café e um Porto, por favor...